VAMOS CONVERSAR UM POUCO SOBRE O DESFRALDE?

A melhor forma de descobrir a hora certa é observando os sinais da criança. O primeiro deles é quando seu filho (a) começa a avisar que fez cocô ou xixi mesmo utilizando a fralda.

 A partir desse sinal, os pais podem sempre marcar a hora que a criança tem o hábito de fazer suas necessidades e começar a levá-la ao banheiro com mais frequência. Se tudo ocorrer bem, elogie, e é hora de dar o próximo passo, começando aos poucos a desfraldar. Caso seu filho não consiga, não se preocupe. Lembre-se: o processo é lento, e por isso, você precisa ter paciência!

Abandonar as fraldas é uma transição na vida da criança e requer atenção, participação e paciência dos pais ou responsáveis. Por isso, o desfralde deve ser feito em um momento de intimidade familiar, no tempo certo, quando a criança consegue comandar seus movimentos e órgãos para realizar suas necessidades. Recomenda-se, portanto, que a função de ensinar e auxiliar a criança a ir ao banheiro e parar de usar fraldas, seja em um primeiro momento dos pais para posteriormente em parceria com a escola dar andamento neste processo. É fundamental portanto, não dar “broncas” na criança caso ela molhe as calças algumas vezes, ela ainda está aprendendo, e a sua função enquanto pai ou mãe é oferecer suporte para que ela realize essa conquista.

Um dos maiores e talvez angustiantes desafios dos pais é saber o momento ideal de tirar as fraldas do bebê e como cultivar paciência e dedicação durante esse período. Por isso, antes de aprender o caminho para o banheiro, separamos algumas informações e dicas importantes para auxiliar vocês nesta grande conquista!

Vamos conferir?

Entendendo as excreções

A psicologia explica que, quando o bebê nasce, para ele, não há diferença entre ele e o peito da mãe. Na verdade, o bebê enxerga ambos como uma unidade. É só por volta dos 8 meses que ele, então, passa a entender que mãe e bebê têm identidades diferentes, passando por um processo de separação. É dessa forma também que ele se relaciona com seus dejetos. Seu filho sente que a urina e as fezes são parte dele e, por isso, em alguns casos, jogá-los em uma privada pode ser tão difícil.

Idade ideal para o desfralde

Como as separações vão se sucedendo de forma progressiva durante o desenvolvimento infantil, é importante respeitar a maturidade da criança, estar presente e se manter atento aos sinais que ela dá de que está pronta para iniciar o desfralde. Fisiologicamente, a partir de 1 ano e meio ou 2 anos, a criança começa o processo de adquirir controle sobre os esfíncteres (estruturas responsáveis pela expulsão das fezes e da urina) e se torna capaz de liberar suas excreções no momento em que desejar.

Assim, os pediatras costumam recomendar que as famílias iniciem o processo de desfralde quando a criança tiver por volta de 2 a 3 anos, período em que ela já é capaz de obedecer alguns comandos. No entanto, mais do que focar na idade, vale lembrar que o momento ideal é quando o bebê se mostrar preparado - e isso pode variar muito de criança para criança. Para saber se seu filho já está pronto repare no comportamento: se ele indicar que a fralda suja a incomoda, se transparecer nojo ou estranhamento por conta da fralda, se informar que está fazendo xixi ou cocô, ele pode estar começando a se desprender da excreção.

Mais importante que isso é sabermos que o desfralde deve ter plena participação e entusiasmo da família e a escola precisa ser parceira desta etapa, para juntas (escola e família) darem para a criança o suporte necessário para que esse processo ocorra sem traumas.

Um desfralde considerado tardio (após os 3 anos e 5 meses de idade) pode trazer consequências negativas para o desenvolvimento infantil, entre elas:  frustrações para a mãe e para a criança, dificuldades na construção da personalidade da criança e na construção da identidade conforme sua faixa etária, falta de autonomia e segurança para outras tarefas essenciais do dia-a-dia...

Porém, não conseguir desfraldar seu bebê no tempo desejado não é sinal de que vocês são péssimos pais. Significa apenas uma coisa: seu pequeno não está pronto ainda e precisa de um “empurrãozinho” para iniciar esse processo. Entender isso é essencial para que não sejam criadas frustrações e estresses desnecessários e que prejudicam ainda mais o processo. Um ponto importante, por exemplo, é verificar se a criança tem a linguagem verbal – comunicação – clara e bem desenvolvida e já possui maturidade suficiente para isso.

Desfralde para meninos e para meninas: tem diferença?

Ainda que não haja nenhuma explicação científica, o desfralde costuma ser mais rápido para as meninas. Isso porque elas costumam ter um amadurecimento psicológico mais precoce. Os meninos demoram um pouco mais para abandonar as fraldas e neles a incidência de enurese noturna, o famoso xixi na cama durante a noite, é também mais frequente. Mas isso não pode ser generalizado e depende muito da maturidade da criança e dos estímulos que os ambientes (família e escola) oferecem.

Desfralde diurno x desfralde noturno

Deve-se reconhecer que o desfralde diurno e o noturno exigem diferentes disciplinas da criança. Como o diurno acontece no período em que o bebê está acordado e, portanto, consciente, costuma levar menos tempo. O noturno, por sua vez, tende a ser um pouco mais difícil porque ocorre no período em que o bebê está dormindo, condição que exige maior condicionamento e preparo neurológico.

Outro fator que facilita o desfralde diurno é a rotina de ir ao banheiro na escola. Como todas as crianças vão juntas, e este processo faz parte do cotidiano da turma por estarem na mesma idade, isso colabora para o aprendizado. Além disso, estar cercado por outros colegas que já largaram a fralda influencia, já que usá-la em um ambiente onde não há outras crianças que fazem o mesmo pode até criar um constrangimento e por isso um possível amadurecimento na construção da autonomia.

Por essas razões, o desfralde diurno quando a criança já deu os sinais de que está preparada pode durar, em média, de um a dois meses na maioria das crianças, sendo completamente natural ter alguns escapes de vez em quando, mesmo depois desse período. O noturno, por sua vez, é mais demorado e exige mais paciência, perdurando, na maioria dos casos, de seis meses até um ano, contando a partir do momento em que a criança começa a acordar com a fralda seca. Da mesma forma acontecem diferenças no desfralde do xixi e do cocô. O controle urinário costuma ser bem mais fácil de realizado. Algumas crianças, no início do desfralde ainda pedem para colocar a fralda para fazer as fezes, pois seu uso traz segurança. Isso é extremamente normal e aos poucos seu filho (a) vai conseguir eliminar a fraldinha. Tenham paciência e acreditem no potencial dele (a).

Apresentando o banheiro

O diálogo é primordial nessa etapa. Ensinar para a criança que ela cresceu, que a fralda é um recurso para crianças pequeninas e que existe um lugar ao qual pessoas crescidas vão para deixar o xixi e o cocô pode ajudar. Esse tipo de discurso, com teor de que a criança amadureceu e cresceu, costuma colaborar para que ela entenda a importância do banheiro. Tente explicar que os amigos da escola, o irmão mais velho e o primo também estão usando a privada. O fundamental, no entanto, é evitar tecer qualquer comentário que possa humilhar o pequeno.

O discurso lúdico pode dar mais leveza a essa fase, por isso, a importância da participação da escola em parceria com a família. Se despedir dos dejetos pode ajudar a criança no momento em que ela dá adeus ao cocô, quando ele vai privada abaixo. Também dá para levar o bichinho de pelúcia ou boneco favorito do pequeno para assisti-lo no banheiro, comprar calcinhas ou cuecas de algum personagem que seu filho goste, conversar com a criança enquanto está sentada na privada e assim sucessivamente. É interessante transformar o momento em algo mais divertido.

A opção por um penico costuma ser mais confortável porque oferece melhor apoio aos pés do bebê. Mas o ideal é perceber qual a preferência da criança; se ela gostar mais do redutor, tudo bem. Levar seu filho para escolher o acessório também pode estimular o uso e facilitar o desfralde. Mas saiba, que conforme o tempo vai passando, é essencial que a criança aprenda a utilizar o vaso sanitário como recurso para eliminar os esfíncteres.

Parabéns, você conseguiu!

Demonstrar com gestos e diálogo o quão feliz e orgulhoso você está com o pequeno é fundamental. Parabenize-o por todas as vezes que ele conseguir chegar a tempo no banheiro.

Xi... Escapou!

É imprescindível que os pais tenham sempre em mente que escapes acontecem e são comuns. Brigar, falar mal, reprimir ou manter uma postura negativa diante da criança nesses casos não são atitudes que vão fazer com que ela aprenda a fazer certo da próxima vez. Pelo contrário, isso acaba desestimulando. Mantenha-se positivo e incentive a criança. Diga que da próxima vez ela vai conseguir. Fale que aquele xixi ou cocô foi compreensível porque ela estava muito ocupada brincando. Seja amigável e paciente.

Em alguns casos, os escapes ocorrem porque o desfralde está acontecendo em um período no qual a criança está encarando alguma novidade, como, por exemplo, se ela tiver um irmãozinho por chegar ou estiver começando na escolinha. É importante que o período escolhido seja mais calmo, para que o pequeno não fique ansioso e interrompa o progresso.

Na maior parte das vezes, o escape ocorre no período noturno. Algumas dicas dos pediatras e dos psicólogos infantis podem evitar os acidentes de noite, como diminuir a quantidade de líquidos após as 18 horas, levar a criança para fazer xixi antes de dormir, colocar um boneco ou ursinho de que a criança goste para dormir com ela na cama e dizer para ela tentar não molhar o brinquedo. E se ele acordar com a cama molhada? Respire fundo, coloque a roupa para lavar, limpe e troque a criança. Paciência. Uma hora ele consegue.

Precisa de ajuda?

Os escapes estão recorrentes e não há nenhum sinal de progresso? Procure um pediatra: a criança pode estar sofrendo de alguma disfunção de bexiga (incontinência urinária, por exemplo). Se a pressão psicológica no pequeno for muito grande, ele também pode desenvolver uma infecção urinária ou constipação intestinal por medo de fazer xixi ou cocô.

Recorra à ajuda médica também se o pequeno atingir os 4 anos e ainda não tiver largado das fraldas. É necessário investigar se ele não sofre de alguma causa orgânica patológica ou psicológica.

Acima de tudo, os pais devem sempre lembrar que o desfralde, assim como outra qualquer etapa do desenvolvimento infantil, é uma prova de maturidade e de amadurecimento. Por isso, é muito mais comum que crianças com mais liberdade, autonomia e mais atenção e dedicação dos pais passem por essa etapa em um período de tempo mais curto do que outras.

Algumas dicas para o desfraldar...

Primeiros sinais: Quando chega a hora de abandonar a fralda, as crianças começam a dar alguns indícios. A partir do momento em que você perceber que ele obedece a comandos, compreende frases simples e imita a ação dos pais, significa que tem maturidade para iniciar o desfralde.

Iniciando: Ao perceber os sinais, você deve iniciar o ensino gradual. Comece apresentando o banheiro, o vaso sanitário e mostrando ao seu filho qual o destino de tudo o que ele vai fazer no penico.

Trabalho de quem: Seja menina ou menino, a participação tanto do pai quanto da mãe é essencial nesse momento, os dois têm que se envolver.

Converse muito: Nesse momento é importante passar uma orientação de forma lenta e gradual através de gestos repetidos, como levar a criança ao banheiro e jogar o que tiver no penico dentro do vaso junto com ela. Tudo deve ser ensinado didaticamente, para que ela adquira consciência do que está fazendo.

A melhor estação é o verão: Prefira sempre o verão para fazer o desfralde! “É importante adiar o processo se estiver acontecendo algum fato que altere a rotina da criança, como por exemplo, a mudança de casa, morte de alguém próximo, transferência de escola ou o nascimento de um irmãozinho”.

Encare com naturalidade: É fundamental que a criança perceba que fazer suas necessidades no banheiro é importante. Por isso, seja exemplo e encare o fato com naturalidade. Além disso, a criatividade pode ser uma aliada em alguns momentos, como na hora de dar a descarga, em que o barulho pode assustar a criança.

Avise a escola: Quando for iniciar o processo do desfralde, combine o mesmo com a escola para não confundir a criança, pois ela não entende o fato de ter que ficar sem fralda no período escolar e para ir ao shopping, por exemplo, precisar colocar a fralda de novo. Atitudes como essa podem tirar a segurança e confundir criança, deixando o processo muito mais demorado

Cuidado com suas atitudes: Evite forçar seu filho a passar horas sentado no penico/vaso sanitário. Essa obrigação pode provocar outros problemas, como a prisão de ventre.

Converse com o pediatra: Transforme essa fase um momento tranquilo. É importante a conversa com o pediatra sobre este momento, já que ele pode dar dicas e orientações por conhecer bem você e seu filho.

Seja positivo: Não se surpreenda se sua família e amigos perguntarem a respeito do desfralde e pensarem que você está pressionando seu filho a fazer isso. Um conselho a ser seguido é: ignore comentários e momentos que não saem da maneira que você esperava e mantenha a positividade – isso aumenta as chances de ter sucesso com o que você está fazendo.

Depois do penico: É hora de fazer a transição do penico para a privada. Você vai saber que seu filho está pronto quando ele é capaz de subir sozinho e sentar, mesmo se você remover o assento de criança. Isso geralmente acontece em torno de 3 anos. Mostre a ele o banheiro e ensine os nomes dos objetos que ele vai passar a usar (vaso, papel higiênico) e ensine-o a se sentar, puxar a descarga e lavar as mãos.

Tudo a seu tempo: A principal dica é que você não tenha pressa e tente fazer tudo de forma lúdica para a criança. O pior erro é repreender ou brigar, porque dessa forma você pode prejudicar e atrasar o progresso, já que a criança pode se sentir reprimida de usar o penico outras vezes e até mesmo causar prisão de ventre.

O papel da escola no desfralde

Você pode contar com a escola nesse processo ao oferecer estrutura física e atividades que trabalhem o emocional e o fator comportamental. Numa sala cheia de alunos, é importante não haver comparações e que, pelo contrário, eles sejam incentivados uns pelos outros.

Além disso, os professores também devem ser orientados a oferecer muitas idas ao banheiro por dia. Ao mesmo tempo, devem organizar um momento para tirar a fralda do seu filho, fazendo com que ele se acostume pouco a pouco, assim como você faz em casa.

É importante que você informe a escola em caso de grandes mudanças na vida da criança, como mudança recente de cidade, mudança de casa ou nascimento de um irmão. Elas podem interferir no processo de desfralde, já que ele está diretamente relacionado ao fator emocional.

A escola auxilia nesse processo por ser um espaço de coletividade e com potencial para desenvolvimento da aprendizagem e de habilidades no decorrer da primeira infância.

Mas, lembre-se: os escapes são normais e vão acontecer. O importante é não expor seu filho para não gerar frustrações e o sentimento de culpa. Respeite o tempo dele, sem pressão e com muita tranquilidade. E quando tudo der certo, lembre-se sempre de ressaltar o lado positivo e comemorar.

Esperamos ter ajudado a esclarecer algumas dúvidas em relação ao desfralde!

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