O DESENVOLVIMENTO DA LINGAGUEM INFANTIL: ASPECTOS IMPORTANTES

A linguagem oral é um dos aspectos fundamentais da nossa vida, pois é por meio dela que nos socializamos, construímos conhecimentos, organizamos nossos pensamentos e experiências, ingressamos no mundo em sociedade. Assim, ela amplia nossas possibilidades de inserção e de participação nas diversas práticas sociais.

É preciso, portanto, ensinar a criança a utilizar adequadamente a linguagem, a fazer uso da língua oral de forma cada vez mais competente. Expressando‐se oralmente, a criança amplia seus horizontes de comunicação, exercita o pensamento, socializa‐se, organiza a sua mente, interpreta o mundo, expõe ideias, debate opiniões, expressa sentimentos e emoções, desenvolve a argumentação, comunica‐se com facilidade, além de se preparar para um futuro no qual seja capaz de expressar em público seus conhecimentos e ideias. Deste modo, o desenvolvimento da oralidade significa para ela uma habilidade imprescindível para o convívio social nas mais diversas instâncias.

No entanto, sabemos que cada criança tem seu próprio ritmo de aprendizagem, porém, não é por isso que devemos deixá-la sem estímulo. Aliás, isso é um fator extremamente importante em qualquer aprendizagem e a linguagem não foge dessa regra. A genética tem sua parcela de importância, mas a criança aprende a falar ao ouvir a fala de outras pessoas que convivem com ela, sejam estas, adultos ou crianças.

A etapa da educação infantil abarca o período de aquisição e maior desenvolvimento da linguagem oral. Com informações detalhas deste processo, os profissionais que atuam com essa faixa etária terão mais ferramentas para estimular, e condições de identificar precocemente, possíveis alterações. Porém, os estímulos precisam ter a mesma intensidade no ambiente familiar, para que a criança conviva em diferentes espaços, mas com a mesma qualidade de incentivos ao desenvolvimento da sua comunicação.

Assim, a primeira infância representa inúmeras conquistas no desenvolvimento da criança, tais como sentar, engatinhar e andar. Já o primeiro ano de vida reserva um dos momentos mais esperados pelos pais: quando o bebê fala “papai” e “mamãe” pela primeira vez, que ocorre graças ao desenvolvimento da linguagem adequado.

A linguagem é então considerada a habilidade de compreender e criar conceitos mentais de tudo o que é aprendido, por exemplo: ao ser apresentada várias vezes à uma bola, quando for solicitada à criança que pegue a bola, ela saberá que o termo “bola” refere-se a um brinquedo, redondo, colorido e que pula, graças às suas experiências prévias.

Mas, é nessa fase também que surgem muitas dúvidas a respeito das etapas do desenvolvimento da linguagem dos pequenos: Quando é esperado que a criança fale as primeiras palavras? Até quando é normal falar errado? Se a criança de 5 anos não consegue falar de forma inteligível, a mãe precisa se preocupar?

Cada criança tem suas particularidades, mas em geral há etapas do desenvolvimento da linguagem semelhantes a serem cumpridas de acordo com a idade e o desenvolvimento cognitivo, conforme exemplificaremos abaixo, de acordo com informações do Conselho Federal de Fonoaudiologia:

1º ao 3º mês de vida:

A comunicação com as pessoas ao seu redor é basicamente através de variações de entonação do choro e dos sons por ela emitidos, mais evidente a partir da 3ª semana de vida, conseguindo indicar quando está com fome, sono ou a cólica, por exemplo. Desde cedo ela já começa a compreender alguns sinais da comunicação, por exemplo ao observar a entonação da voz e expressão facial do adulto, ela sorri quando alguém fala de frente para ela, ou acalmando-se ao ouvir a voz da mãe.

4º ao 6º mês de vida:

A partir do 4º mês de vida, a criança passa a emitir mais sons, mexendo a boca e variando a voz, como se ela estivesse preparando-se para as primeiras palavras que em breve iniciarão.

7º mês ao 1º ano de vida:

Passa a ser mais frequente a produção de consoantes de “m”, “b”, “p” em sílabas e junções ainda sem significado, como “angu” e “mamamama”. Nesta idade, a criança já olha quando é chamada pelo nome, sabe o significado de expressões simples como “não”, “tchau”, “dá”, “vem”.

1 a 2 anos:

A criança começa a falar as primeiras palavras com significado, como “mamãe” e “papai” e não por acaso, pois estas palavras têm uma grande importância de significado na vida do bebê, por terem sido frequentemente apresentadas a ele e também pelo falo de ambas serem formadas por consoantes cujos sons são de fácil produção.

A partir dos 18 meses novas palavras são aprendidas com muito mais facilidade. É a fase “esponjinha”, em que muito do que ouve ela aprende a falar. Sua compreensão evolui tanto quanto a fala e ela já consegue manter pequenos diálogos com frases curtas, como por exemplo, “quero água”, “me dá o brinquedo”....

É esperado que a criança fale as palavras erradas nesta fase também, o que é considerado normal, pois ela ainda não aprendeu todos os sons das consoantes. Assim, neste período devemos nos atentar ao número de palavras que ela sabe, não tanto ao como ela fala. À medida em que ela vai crescendo e adquirindo maior habilidade dos movimentos da boca, estes erros vão reduzindo e a fala ficando cada vez mais fácil de ser compreendida. IMPORTANTE E ESSENCIAL desde pequena, nos dirigirmos à criança falando corretamente as palavras, sem infantilizar a fala, como por exemplo: (A MAMÃE VAI TE DAR A MAMADEIRA) e não (A MAMÃEZINHA DÁ A DEDEIRA).

2 a 3 anos:

Neste período a criança aprende cerca de 200 a 400 palavras novas, passando a elaborar frases com 3 a 4 palavras, como “quer comer não” e a contar pequenas histórias, com a ajuda de um adulto e observando imagens.

3 a 4 anos:

Seu vocabulário está ainda maior, com aproximadamente 600 palavras, passando a usar preposições (ex. em cima, com e atrás), plural e sentimentos em frases longas de 6 palavras, tanto no presente, como também no passado e futuro. Mantém um diálogo sem dificuldades, e as histórias que conta têm mais detalhes. Apesar de ter ainda algumas trocas de letras, sua fala é facilmente compreendida.

4 a 5 anos:

Já conta histórias sem a ajuda do adulto ou de figuras. Usa com facilidade frases maiores, com adequada noção de tempo e condições (“eu só vou brincar se for de carrinho”), ainda apresenta dificuldade na flexão verbal em alguns momentos, mas é facilmente compreendida pois fala praticamente todos os sons de letras.

Uma referência do que esperar quanto à produção dos sons, de acordo com a idade, segundo Lamprecht (2004) é:

  • Entre 1 e 3 anos: falar os sons referentes às letras p, t, k, b, d, g,  f, s, x, v, z, j, m, n, nh;
  • Aos 4 anos: falar os sons referentes às letras lh, r (ex. ilha, amora);
  • Aos 5 anos: falar os sons referentes às letras l e r em encontros consonantais (ex. planta, primo).

 

Mas, ATENÇÃO! Estes dados são uma referência, não uma regra. O desenvolvimento da linguagem pode se apresentar de forma diferente para cada criança. Porém, casos que se distanciem das idades apresentadas devem ser avaliados por um fonoaudiólogo, pois diversos fatores podem levar a um atraso na aquisição dos sons da fala. Assim, havendo dúvida sobre algum atraso no desenvolvimento da linguagem oral o primeiro profissional a ser procurado é o fonoaudiólogo (a). Muitas vezes também deverão ser consultados outros profissionais como psicólogo, psicopedagogo, neuropediatra… Sendo que se constatado algum atraso, quanto mais cedo for realizada intervenção, mais resultados benéficos são alcançados.

Os atrasos de linguagem não têm, todos, a mesma origem, a mesma evolução. Sob o rótulo “problemas de linguagem” ou “atraso de linguagem” misturam-se problemas diversos em sua expressão, origem e gravidade. Crianças com atraso de linguagem, não apresentam necessariamente o mesmo problema ou as mesmas dificuldades. Algumas não irão precisar de atendimento terapêutico específico e apenas com orientações aos pais, poderão superar o atraso. Outras necessitarão de atendimento especializado para superarem suas dificuldades.

Diagnosticar precocente e, consequentemente, reabilitar essas crianças com programas de intervenção adequados e efetivos às suas dificuldades, não é uma tarefa fácil. Como a criança está em fase de desenvolvimento, é comum, pensar que com o tempo, a criança irá falar. Trabalhando diariamente nesta área, é comum, ouvir dos pais os seguintes comentários: “achei que com o tempo ele começaria a falar”; “fui orientado a colocá-lo na escola para este problema passar”; “o pai dele também demorou para falar”; “ele não fala porque é acomodado e preguiçoso”; “ele ainda é muito novinho, por isso não fala”; “me disseram que com 5 anos ele iria começar a falar”; “me disseram que meninos demoram mesmo para falar”, dentre outros.

Um outro aspecto, que também é desconhecido por muitos pais e até por profissionais da área, é que a linguagem oral está diretamente relacionada à aprendizagem. Crianças que apresentaram problemas ou dificuldades na linguagem poderão apresentar futuramente dificuldades escolares, por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais.

Assim, é possível buscar um auxílio em diálogo constante com a escola e a educadora da criança, mas o diagnóstico de atraso/alteração/distúrbio de linguagem, é de competência do Fonoaudiólogo, de um especialista em Linguagem Infantil. Pais, professores, outros profissionais da saúde, podem identificar ou suspeitar que o desenvolvimento da linguagem de uma criança não está adequado, porém cabe ao Fonoaudiólogo diferenciar, diagnosticar, e consequentemente, elaborar um programa de intervenção específico e eficiente para cada caso.

Por fim, diante da queixa trazida pelos pais ou pelos professores da criança, de “atraso na linguagem”, muitos questionamentos são fundamentais, para chegarmos ao diagnóstico preciso e correto. A criança apresenta habilidades linguísticas esperadas para sua idade cronológica? A criança apresenta dificuldade apenas na área da linguagem? É um atraso específico ou ela apresenta dificuldades também em outras áreas do desenvolvimento, como por exemplo, na coordenação motora, no desenvolvimento simbólico, na interação social, no comportamento? É um atraso ambiental, por falta de estímulos adequados? Os pais ou a babá que passa o dia com a criança estimulam-a de forma adequada? A criança vive em um ambiente bilíngue? Qual é a língua falada com a criança? Outras pessoas da família, também já apresentaram ou apresentam dificuldades de linguagem ou de aprendizagem? A criança nasceu prematuramente? A criança ouve bem? A criança frequenta escola? A criança apresenta alguma intercorrência neurológica que justifique a dificuldade? A criança apresenta algum déficit intelectual ou cognitivo? É uma criança que apesar de aparentemente não ter nenhum problema, que já realizou vários exames com resultados normais, não está conseguindo desenvolver a linguagem da forma esperada? Como a criança se relaciona com os pais? E com as outras crianças? Como a criança brinca? Dentre outros...

Além de investigar todos estes aspectos, a linguagem da criança também deve ser avaliada de forma minuciosa. Ou seja, quando falamos em linguagem, várias habilidades estão envolvidas neste processo dinâmico e complexo. Em qual aspecto da linguagem, a criança apresenta mais dificuldade? Na expressão/produção da linguagem, na compreensão ou em ambos? No vocabulário? Na aprendizagem de novas palavras? Na estruturação das frases? Nos aspectos gramaticais? No uso dos verbos, pronomes? Nos aspectos fonético-fonológicos (produção dos sons da fala)? Na elaboração oral? No relato de fatos? No uso funcional e social da linguagem? É um atraso de linguagem ou é um distúrbio de linguagem? É temporário ou será persistente? As dificuldades de linguagem oral irão afetar a aprendizagem?

Diagnosticar e compreender um atraso de linguagem não é uma tarefa fácil...Mas é importante esclarecer, que embora não seja uma tarefa fácil, é possível e necessária!

DICAS PARA OS PAIS, DE INTERAÇÕES QUE POTENCIALIZAM O DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ORAL NAS CRIANÇAS!

Pequenos ajustes na rotina e no brincar da criança podem promover importante avanço nas etapas do desenvolvimento da linguagem, quer saber como?

 

  • Fale sobre o que está à sua volta. Busque sempre olhar no olho da criança para se comunicar desde os seus primeiros dias de vida;
  • Cuide do tom de voz. Ao falar com a criança, coloque sentimento nas palavras;
  • Cante, mesmo se desafinar. Cantar é essencial. A sonorização, a rima e o canto em si transformam falas em brincadeiras, o que ajuda o desenvolvimento da linguagem, do vocabulário e o letramento;
  • Leia histórias e poesias. Além de estimular a imaginação, contar histórias ajuda a ampliar o vocabulário e a curiosidade das crianças sobre a linguagem;
  • Use sinônimos. Na hora de nominar um objeto, procure indicar as várias formas de fazê-lo. Aos poucos, a criança vai enriquecendo seu vocabulário;
  • Brincar para aprender. Nada de transformar o aprendizado da criança em algo mecânico. Se a criança está se divertindo e fazendo determinada atividade com prazer, ela aprende muito mais. Se ela se mostrou interessada em um livro, em vez de forçar a leitura de outro, ajude-a a explorá-lo. Ela quer repetir a mesma brincadeira mais de uma vez? É sinal de que está aprendendo. Quando ela não quiser mais é porque, naquele momento, foi o suficiente.

 

 

Fale Conosco

(54) 3358-3048
Rua: 14 de Julho, 237
Centro - Lagoa Vermelha
CEP: 95.300-000
 

Localização

Sistema de Ensino