COORDENAÇÃO MOTORA AMPLA E FINA NA PRIMEIRA INFÂNCIA

Você já ouviu falar sobre Coordenação Motora ampla (grossa) e fina? E já se perguntou sobre o que esperar de cada idade da criança no desenvolvimento destas habilidades?

Então vamos conversar um pouquinho sobre isso....

Neste artigo vamos falar sobre:

  • O que é coordenação motora fina e grossa?
  • O desenvolvimento da coordenação motora por idade
  • Preocupações e dúvidas frequentes dos pais
  • O papel da escola no desenvolvimento da coordenação motora da criança

O que é a coordenação motora?

A coordenação motora é a capacidade do nosso corpo de realizar movimentos. Nesse sentido, é resultado da interação sincronizada do cérebro com articulações e músculos. Além disso, a coordenação motora é dividida em duas categorias principais: fina e grossa/ampla.

Coordenação motora fina

A coordenação motora fina é a capacidade de fazer movimentos mais delicados, com músculos menores, das mãos e dos pés. Dessa forma, o movimento de pinça, em que usamos os dedos indicador e polegar para segurar um objeto pequeno, é uma das primeiras manifestações da motricidade fina.

A partir da evolução desse movimento para agarrar coisas, entram nessa categoria a capacidade de desenhar, escrever, pintar, usar a tesoura e os talheres, abotoar a roupa, amarrar os cadarços, colagens, recortar papel, fazer traçados em folhas são apenas algumas atividades que podem ser feitas graças à coordenação motora fina.

Na coordenação motora fina, uma das maneiras mais eficazes de se treinar a criança se dá por meio de exercícios que envolvam os movimentos das mãos, como por exemplo, as atividades que trabalham com pontilhados. O mais interessante é que isso pode ser feito de várias maneiras: giz de cera, lápis, tinta guache, colagem de papeis, barbantes e lãs.

Coordenação motora grossa

A coordenação motora grossa, ou coordenação motora ampla, é a capacidade de realizar movimentos que envolvem mais músculos e articulações, em harmonia com o espaço físico do entorno. É a sincronização de braços, pernas, abdômen, coluna, junto com a percepção do espaço, que permite às crianças caminhar, correr, pular, dançar, jogar bola, nadar, andar de bicicleta etc.

Além disso, é responsável pelo impulso físico: ela abrange todos os músculos que possibilitam os pequenos a essas brincadeiras. Assim como a fina, a coordenação motora grossa também precisa ser estimulada desde a primeira infância.

As três grandes áreas de desenvolvimento motor

RITMO – Pelo desenvolvimento do ritmo ordenamos o ato motor. Exemplo: dança do morto-vivo, produzir sons com o próprio corpo, pular corda, dançar e cantar, etc.

EQUILÍBRIO – É a base da coordenação dinâmica global do corpo parado ou em movimento. Bons exercícios de equilíbrio: andar na ponta dos pés, caminhar sobre uma corda, equilibrar-se em um pé só, etc.

PERCEPÇÃO – É a capacidade de perceber, reconhecer e distinguir os estímulos. Exemplo: brincar com a criança. Além disso, faze-la distinguir: pesadas e leves, molhadas e secas, duras e moles, sons alto e baixo, etc.

O desenvolvimento da coordenação motora por idade

Os tempos de cada criança podem variar de acordo com características genéticas e também com o ambiente e os estímulos que recebem.

Ainda assim, é interessante ter uma ideia sobre o que esperar de cada faixa etária para não forçar demais – ou também para perceber se é o caso de buscar ajuda profissional.

É possível observar o desenvolvimento e a coordenação motora da criança desde bebê. Portanto, a coordenação motora ampla e fina da criança responde aos estímulos de várias formas e cabe ao professor e aos familiares observarem isso juntos.

1 a 2 anos de idade

Os primeiros anos do bebê são marcados por conquistas em importantes habilidades para o seu desenvolvimento, como sorrir, engatinhar, reconhecer pessoas etc.

O movimento é algo natural do ser humano. Pular, correr, apanhar, chutar, andar e rolar são exemplos de habilidades fundamentais que, mais cedo ou mais tarde, são dominadas pela criança.

Por isso, é necessário estimular o seu pequeno de acordo com a idade e com o estágio de desenvolvimento dele, para que ele se desenvolva de maneira saudável e aprenda as habilidades motoras amplas, como sustentar a cabeça, sentar, engatinhar, andar, correr e pular.

Essas primeiras habilidades serão a base para as novas que virão com o passar do tempo. Sendo assim, é muito importante que sejam bem desenvolvidas. Para isso, é preciso que sejam estimuladas por meio de atividades adequadas. Citamos algumas abaixo:

  • Preparando-se para sentar

Por volta dos 4 meses, alguns bebês já querem se sentar e, com 5 ou 6 meses, a maioria já consegue fazer isso com apoio das mãos no chão. Com 7 ou 8 meses, é bem provável que o seu pequeno consiga se sentar sem apoio e, com 9 meses, já fica bastante tempo nessa posição.

Para que isso ocorra, é importante fortalecer os músculos da barriguinha. Uma ótima atividade é deitar o bebê de barriga para cima e entregar um objeto que ele possa segurar com as duas mãos. Enquanto ele agarra o objeto, você o puxa lentamente para cima até que ele fique sentado.

Você pode fazer isso várias vezes ao dia. Se o seu filho não conseguir sustentar a cabeça, levante-o apenas 2 cm do chão. Isso é interessante para fortalecer os músculos do pescoço e das costas.

  • Olhando para trás

Outra excelente posição para bebês fortalecerem os músculos posteriores e anteriores é ficar de bruços. Assim, podemos estimulá-los com brinquedos e iniciar a base motora que o fará engatinhar.

Para a brincadeira, coloque o seu bebê no chão deitado de barriguinha para baixo. Precisamos de brinquedos ou objetos que façam barulho, como chocalhos ou molho de chaves. Posicione-se atrás do bebê e balance o item de forma que emita um som alto suficiente para o bebê ouvir.

Instintivamente, seu filho procurará pelo som com os olhos, virando a cabecinha e, de vez em quando, tentando virar o corpinho. É exatamente essa reação que procuramos, pois o ajudará na localização espacial, na construção do tônus muscular e na coordenação motora grossa.

  • Segurando pela mão

Para essa brincadeira de coordenação motora grossa você precisa de um ambiente plano e com chão livre de obstáculos. Fique de frente para o seu bebê e segure ambas as mãozinhas. Vá caminhando com ele, guiando-o para frente (você caminhará de costas).

Isso dará confiança para o seu bebê seguir dando os primeiros passos. Também é uma ótima maneira de ajudá-lo a explorar a casa e ganhar mais firmeza para andar sozinho depois.

  • Subindo e descendo escadas

Uma das mobilidades que a coordenação motora grossa é responsável após o bebê andar são os movimentos de subir e descer. Dessa forma, precisamos estimular o desenvolvimento dos músculos inferiores, bem como a visão de distância e profundidade.

Para essa atividade, você precisa de brinquedos que chamem a atenção do seu filho. Também é importante ter uma escada que ele possa subir e descer em segurança com sua supervisão. Comece subindo três degraus e chamando a atenção dele com um brinquedo.

É bem provável que ele suba engatinhando os degraus — isso não tem problema — e, em seguida, ajude-o a descer. Então, repita a atividade subindo outros três degraus.

  • Saltando para objetos do cotidiano

Para essa atividade, você precisará de objetos do cotidiano da sua família, como algum brinquedo, garfo e relógio. Coloque-os no chão, marcando-os como “estações”.

Segurando a mão da criança, pulem juntos para a primeira estação que está no chão. Parados lá, peça para que a criança diga o nome do objeto. Quando ele acertar, saltem para a próxima estação, repetindo a brincadeira.

  • Aumentando o volume

Para essa brincadeira, vocês precisarão de um espaço amplo e que pode ser usado para ouvir música. Diga a seu filho que brincarão com um jogo de música e que é preciso prestar atenção ao volume dela.

Comecem caminhando normalmente e à medida que o volume da música aumenta, vocês devem ir acelerando os passos. Isso deve acontecer até que seu filho esteja correndo — ou quase. Essa atividade treina a habilidade de correr, mas também estimula a atenção, memória e pensamento abstrato.

  • Aprendendo a dançar

Dançar não é apenas algo prazeroso: é um ótimo exercício físico, é também uma verdadeira aula para os pequenos. Enquanto ela dança, a criança desenvolve a amplitude de movimento e usa todas as partes do corpo que trabalham as coordenações motoras grossa e fina. Outros benefícios da dança incluem a melhora da postura, do equilíbrio, da resistência, da flexibilidade e da percepção corporal.

Em vez de apenas colocar uma música para que o seu filho dance, é interessante que você dite quais movimentos ele pode fazer, por exemplo: “levante o braço assim”, “mexa a perna para o lado”, “dê um passinho para a frente”. Essa atividade é capaz de ajudar a desenvolver também a imaginação e a resolução de problemas.

            Sendo assim, até os dois anos de idade, seu filho (a) precisa realizar as seguintes conquistas: firmar a cabeça e o pescoço, mexer as mãos, rolar, sentar, agarrar um brinquedo e passar para a outra mão, se esticar para pegar um objeto, levantar os bracinhos pedindo colo, tentar segurar o próprio pé, engatinhar e caminhar segurando um objeto ao mesmo tempo, correr, virar a página de um livrinho, encaixar formas, chutar a bola (ainda sem muita direção)...

2 e 3 anos de idade

A coordenação motora fina começa a melhorar. Nessa idade já podem cortar um papel usando uma tesourinha, segurar o giz de cera com a mão toda para seus primeiros rabiscos e garatujas e usar talheres.

Além disso, na coordenação motora grossa, as crianças já pulam com mais facilidade, sobem escadas com pés alternados, lançam objetos ao alvo, pedalam em triciclos, entre outros exemplos.

4 a 5 anos de idade

Aqui, as crianças começam a segurar o lápis com movimento de pinça, a acertar melhor as linhas na hora de pintar e tracejar. Ainda, colocam e tiram a roupa de forma independente, fecham botões e zíperes, evoluem no andar de bicicleta, desenvolvem mais ritmo para dançar etc.

Próximo aos 6 anos de idade

Já é o momento em que algumas tarefas podem ser feitas pela criança sozinha, como tentativas de arrumar a própria cama, amarrar os próprios cadarços e abotoar a camisa ou fechar o zíper, além de vestir a roupa sem ajuda. Além disso, é muito importante estimular mais autonomia da criança nas atividades cotidianas. Você notará que no começo ela não conseguirá fazer direito, pode pedir ajuda (e não tem problema você ajudar!). Mas, com o tempo, vai ficando cada vez melhor. Afinal, tem coisas que só aprendemos fazendo!

Ah, um marco da idade: a retirada das rodinhas da bicicleta! Sendo assim, incentive para tentar aos poucos, sem medo, pois a coordenação motora já proporciona esse equilíbrio.

Brincar, brincar e brincar! Quanto mais livres, com tempo no chão e contato com a natureza desde bebês, mais habilidades motoras tendem a desenvolver. Claro que com supervisão de adultos!

Para os pais!

Uma das perguntas mais frequentes que os pais fazem em relação a coordenação motora dos filhos (as): quando os movimentos são mais “estabanados” é motivo de preocupação?

Resposta: As crianças apresentam habilidades diferentes entre si, o que é natural. Porém, é importante observar quando o fato de não conseguirem desempenhar determinados movimentos começa a interferir na sua autoestima e vida social.

Não conseguir pegar a bola, cair muito, ou ter uma letra muito difícil de compreender, pode fazer com que a criança se recuse a brincar, pelo medo de errar ou de ser alvo de riso dos amiguinhos. No longo prazo, as dificuldades motoras podem levar à falta de interesse por atividades físicas e ao sedentarismo.

Por isso, se você notar um comportamento com essa tendência, busque estimular a participação em esportes mais pela diversão, sem cobrar tanto a precisão de movimentos ou a competição. Na dúvida, vale conversar com um médico neurologista para avaliar se é o caso de Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação (TDC). Nesse caso, o acompanhamento precoce costuma apresentar bons resultados, facilitando muito a vida da criança.

Movimento é qualidade de vida! Combinar brincadeira, esportes e habilidades manuais é bom para todas as idades. É também uma ótima oportunidade para pais, retomarem esses hábitos junto com os filhos!

Separamos algumas ideias de brincadeiras para desenvolver os dois tipos de motricidade – a fina e a grossa – mesmo dentro de casa.

  • Usar fita crepe para criar linhas no chão para a criança andar nela, ou mesmo para criar uma amarelinha;
  • Circuitos com obstáculos – estabeleça com a criança um roteiro do que deve ser feito para levar um objeto para uma parte da casa até a outra. Vale ter que passar por baixo da mesa, por cima da cadeira, o que o espaço da sua casa permitir;
  • Vôlei com bexiga de aniversário. Não dá pra jogar bola dentro de casa? Vamos de bexiga de festa! Por ser mais leve, diminui o risco de acidentes, além de facilitar até para os mais novinhos, a partir de 3 anos;
  • Pintar e desenhar muito em folhas de papel, seja com giz de cera, lápis de cor, tinta guache ou canetinha. Podem ser desenhos estruturados ou apenas rabiscos, pois estimulará o tão importante movimento de pinça.

O papel da escola no desenvolvimento da coordenação motora

Uma das várias missões de educadores é estimular e trabalhar a coordenação motora. A educação infantil é um ótimo período para começar a trabalhar isso. Por isso, é imprescindível que os exercícios estimulantes sejam aplicados gradativamente, respeitando a idade da criança. O aconselhável é que se promovam exercícios que sigam do mais fácil ao mais difícil.

Os jogos e brincadeiras, elementos presentes no cotidiano da educação infantil, por exemplo, são essenciais ao ser humano, especialmente na infância. Dada a sua relevância, na escola eles necessitam ter seu lugar obrigatório. Da mesma forma, o professor precisa estar fundamentado cientificamente, a fim de que dê o devido espaço ao lúdico na escola, pois não se trata de preenchimento do tempo ou de uma concessão que se faça às crianças.

Dessa forma, o jogo e a brincadeira assumem papéis especialmente importante nas aulas, já que possibilita ao indivíduo, de forma prazerosa, descontraída, sem muitas cobranças, mostrar seu potencial e seu poder de criação, oportunizando a descoberta da sua corporeidade, do autocontrole e do respeito ao próximo.

Vale ressaltar também que não basta só aprender habilidades motoras e desenvolver capacidades físicas, mas cuidadosamente conduzir o aluno a uma reflexão crítica que leve a sua autonomia, na qual ele possa produzir, reproduzir e transformar positivamente esse conteúdo. É um processo de desenvolvimento em que a criança deve necessariamente passar por algumas fases, níveis de desenvolvimento, para o seu avanço durante e depois das aulas.

Nesta perspectiva é possível afirmar que o professor deve se preocupar com tudo relacionado ao desenvolvimento infantil, e principalmente ter  o  conhecimento necessário, pois  há em sua sala de aula  vidas se iniciando. Assim, trazer atividade que estimulem os diferentes aspectos do desenvolvimento cognitivo,  emocional  e físico,  colocando para  dentro  do ambiente educacional  diferentes  recursos  pedagógicos,  mantendo  a criatividade  da  identidade  de  professor,  confeccionando  materiais que  possam  ser  utilizados  com  o  objetivo  de  aprimorar  as habilidades  e  capacidades  de  cada  aluno  de  sua  turma, reconhecendo os limites individuais e o tempo de aprendizado são elementos da prática pedagógica cotidiana que não podem estar ausentes.

Desta forma, a escola de educação infantil é na maioria das vezes responsável pela maior parte da rotina diária da criança pequena e por isso, precisa ter seus espaços, horários, atividades livres e pedagógicas além de profissionais com requisitos básicos e necessários para promover e garantir um desenvolvimento que seja saudável e seguro.

Durante  a  primeira  infância,  fase  tão  importante  do desenvolvimento infantil  o professor  tem  um papel muitíssimo importante, acreditar que sua prática pedagógica é fundamental para a formação integral do indivíduo, planejando suas ações e  criando  um  ambiente  promissor,  onde  suas  atividades  e planejamentos cumpram  seu papel. A intervenção  pedagógica de alta qualidade, planejada, faz a diferença pela sua intencionalidade. A criança  que chega  hoje na  escola de  educação infantil é uma criança que traz todo um saber construído no âmbito familiar, cultural  e social, mas  também  ansiosa por novos  conhecimentos, cheia de  curiosidade e necessitando  socializar-se  com os iguais. Neste sentido devemos valorizar seus saberes, bem como construir outros  aprendizados. 

As  crianças  pequenas  têm  necessidade  de atenção,  cuidados, carinho, segurança,  sem os quais  dificilmente sobreviveriam. Um  ambiente  estimulante  e  desafiador  conta  muito  para  o aprendizado, pois ao brincar a criança tem capacidade de aprender. O  eixo  norteador da  Educação  Infantil  é  a ludicidade,  por  isto  a brincadeira  não pode  nunca ser  deixada de  lado.  A ideia  de  que para aprender tem um horário e a brincadeira tem  outro, ficou  no passado.  Hoje  sabemos  que  é  muito  mais  divertido  e  prazeroso aprender  brincando,  a  partir  de  jogos  pedagógicos,  materiais didáticos e brinquedos adequados e assim podemos suprir a necessidade de transmitir  o  conhecimento  e  brincar  ao  mesmo  tempo, desenvolvendo as habilidades e capacidades das crianças.   

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